Diamante de Sangue
Gênero: Drama
Direção: Edward Zwick
Elenco: Leonardo Di Caprio, Djimon Hounson, Jennifer Connely, Arnold Vosloo
De Zwick, vi dois filmes: Nova York Sitiada e O Último Samurai. Dos dois, o principal atrativo são o apuro com a paisagem (mesmo se tratanto de lugares distintos como a Nova York atual e o Japão de tempos onde a Inglaterra ainda navegava) e as atuações. No primeiro, um quarteto do barulho, formado por Denzel Washington, Anette Benning, Bruce Willis e Tony Shaloub, que sustentam com muito carisma um roteiro um tanto capenga e com aquele ar de os Estados Unidos salvam o mundo, tão comuns e que, quando bem interpretados, seguram o filme.
Já no segundo filme tinhamos Ken Watanabe, a única referência realmente japonesa, com seus códigos de honra e toda a mitologia dos samurais, dentro de um filme americano. É como se Takeshi Kitano tivesse dado umas dicas ao diretor da cidade de Chicago. Saiu-se bem, apenas do enredo mais uma vez dar aquela empurrada para a sobreviência do modelo inglês (que mais se assemelha ao norte-americano) de ser e estar. O inglês Tom Cruise adora o Japão, as japonesas, e reencontra a redenção no modo de vida oriental. Mas sua bravura, sua coragem e sua fidelidade a quem lhe ajudou são tipicamente do lado de cá.
Não chega a corromper os filmes citados. Deixa um gosto amargo, mas isso até as coisas boas como café, chocolate e cerveja o têm. E há o público que adora, é claro. A situação só complica quando lidamos com algo que a culpa ocidental é latente, e onde o abandono dos países "desenvolvidos" (o termo é geral, e tenho muitas controvérsias sobre) é fato que não dá para esconder.
Falamos dos diamantes de sangue, que são exportados da África para Europa e América. A custa de muitas vidas, ou braços dependendo do humor do "coronel" em questão (detalhe interessante é que a arte de cortar braços não vem dos milicianos africanos, sempre pintados em filmes como este como insanos possuídos pela luxúria, pelo poder e consumidos pelas drogas. Os belgas, eles mesmos, símbolos de classe por seus chocolates e suas cervejas, foi quem começaram a deixar as colônias africanas manetas). Em uma das muitas áreas de mineiração em Serra Leoa está Solomon Vady (Dijmon Hounson), pescador que tem sua família raptada por milicianos da FUR (Força Unida Revolucionária). Do outro lado temos Danny Archer (Di Caprio, melhorando a cada dia que passa), traficante de diamantes, "adido" das corporações de venda do produto da Europa no continente africano. Archer é natural do Zimbabue, chamada Rodésia quando ainda colônia e assim tratada pelo personagem. O descaso dele pelo continente reflete o do países desenvolvidos; de lá sai apenas seu sustento, a colônia de sua metrópole pessoal.
Solomon vê a oportunidade de uma vida quando acha um diamante de 100 quilates, pedra mais preciosa dentre as preciosas. A chance de reaver a família, o filho mais jovem que, como tantos, seria treinado pelas milícias para a guerra. Archer vê a oportunidade de ir embora da África através da pedra. No meio disso tudo, Maddy Bowen (Jeniffer Connely), jornalista idealista, vê a chance de ter a matéria que colocará e maus lençóis os importadores de diamante da Europa. Uma boa metáfora, um usa o outro e todos usam a África. Problema aqui é a condescendência de Zwick com os países grande, isentando-os de culpa, dizendo em linhas claras: quem compra é você, o problema é seu. Não deixa de ser verdade, mas o buraco é mais embaixo. Ou melhor, mais em cima, visto que lá embaixo temos apenas a África, ela sim a grande prejudicada de toda a história, seja por diamantes, marfins, ouro, petróleo. São todos marionetes de seus sistemas, das políticas adotadas por seus países.
Nota: 3 estrelas e meia na testa de Edward Zwick, mais um visto para sair dos EUA. Junto com seu cinema.
