Luz, Câmera, Post

November 3, 2006

Os Estados Unidos contra John Lennon

Filed under: Resenha

Direção: David Leaf e John Scheinfeld
Duração: 99 minutos
Documentário

O que Noam Chomsky, Gore Vidal, Tariq Ali, Carl Bernstein, Bob Seale (ex-líder dos Panteras Negras), John Sinclair (ativista político norte-americano), Yoko Ono, Ron Kovic (autor do livro que deu origem ao filme "Nascido em 4 de Julho) e Geraldo Rivera (aquele do bigodinho e dos programa de auditório Geraldo, que alegrava as tardes/noites do SBT) têm em comum? Alguém conseguiria reunir tanta gente diferente abordando sobre o mesmo tema? Pois os diretores de O Estados Unidos contra John Lennon conseguiram. E bem, por sinal.

Rico em imagens de arquivo e em histórias curiosas sobre como o governo Nixon resolveu afiar as garras para combater a campanha pacifista do ex-Beatle, em especial por conta da participação do músico em atos políticos contrários à Guerra do Vietnã, o documentário, essencialmente fundado em declarações dos supracitados, dentre outros, e na mítica figura do casal John e Yoko, alçados ao status de representantes carnais da paz e do amor, peca em apenas um ponto: é de mão única.

É comum, na construção de documentários, que diferentes partes sejam ouvidas. Michael Moore, o atual incensado do gênero, costuma por seu alvo para tropeços públicos, além é claro dos opositores ao tema em questão. Antes de ser um recurso, dá ao espectador a impressão de imparcialidade e isenção do fato em tela. Com Os Estados Unidos contra John Lennon, fica-se a estranha sensação de propaganda institucional, um filme de fãs do trabalho e, acima de tudo, da figura libertária e pacifista que o músico representa até os dias de hoje.

De resto, trata-se de um deleite. Imagens históricas de Nixon, dos protestos contra a Guerra, Panteras Negras ao lado de ativistas brancos e do senador George McGovern falando em uníssono, o caos unindo os eqüidistantes. A trilha sonora, obviamente, é o grande elemento do filme e a figura emblemática de John segura o espectador. Mais do que um mito, Lennon, diferente dos outros Beatles, tinha completa noção do quanto sua imagem agregava e do quanto aquilo poderia ser usado a favor das causas que defendia. Mais do que um músico, John passa uma imagem messiânica, do justo, do generoso, daquele que rebate a violência com sorrisos. É isso que Leaf e Scheinfeld destacam no filme. Mais do que letras, Lennon fez história; com um sorriso humilde no rosto, daqueles que parecem não ter a menor noção do tamanho, o ex-Beatle passava imagem de fanfarrão dizendo tolices. No fundo, todos sabiam que Lennon era muito mais experto do que aparentava. E também tinham noção do perigo que representava para o stabilishment mundial.

Nota: Três estrelas na testa de David Leaf e John Scheinfeld.

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