Luz, Câmera, Post

July 7, 2006

O último grande herói

Filed under: Momento Ed Wood

Direção: John McTiernan

Gênero/Ano: Ação/1993

Arnold Schwarzenegger (Jack Slater / Arnold Schwarzenegger)
F. Murray Abraham (John Practice)
Art Carney (Frank)
Charles Dance (Benedict)
Frank McRae (Dekker)
Tom Noonan (Ripper / Tom Noonan)
Robert Prosky (Nick)
Anthony Quinn (Tony Vivaldi)
Austin O’Brien (Danny Madigan)
Ian McKellen (Morte)
Tina Turner (Prefeita)
Ryan Todd (Andrew Slater)
Sharon Stone (Catherine Tramell)
James Belushi
Chevy Chase
Danny DeVito
M.C. Hammer
Little Richard
Robert Patrick
Maria Shriver
Jean-Claude Van Damme
Melvin Van Peebles
Damon Wayans

Muitas homenagens já foram feitas ao cinema e algumas são clássicas, como Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder, Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen e O Último Grande Herói, de John McTiernan.

Antes que você alegue que eu estou insano, assista o filme: é uma singela, e muito bem bolada, homenagem aos filmes de ação (e as vezes, por incrível que pareça, vai além disso!). O roteiro é simples: garoto fissurado em filmes de ação recebe um bilhete mágico que pode transportá-lo para o mundo do cinema. Fã dos filmes do maior personagem de ação da história, Jack Slater (com Arnold Schwarzenegger se divertindo muito no papel), ele acaba por cair no mundo do herói.

A premissa lembra, inclusive, Rosa Púrpura, que é uma homenagem ao cinema como uma fuga do mundo real, uma máquina de sonhos que são projetados na tela grande. Ali durante duas, três horas ou mesmo cinco minutos, saímos de nossos corpos e encarnamos o reproduzido a nossa frente.

Ok, McTiernan não é nenhum Allen. Tem lances respeitáveis na carreira (Duro de Matar, Duro de Matar - A Vingança, Caçada ao Outubro Vermelho) mas não fez Annie Hall ou Poderosa Afrodite. Também não chega perto de Billy Wilder (Quanto mais quente melhor - um dos maiores clássicos da comédia), mas tem seu valor, e demonstra ele muito bem em O Último Grande Herói.

A grande sacada do filme talvez seja o brincar de fazer cinema. Ali nada é sério: as explosões são toscas, os clichês pululam de hora em hora e o inverossímil é tão indispensável quanto a câmera em si. Ou seja, é uma homenagem a todos os filmes de ação.

Surpreende porém, que nesse interím tenhamos piadas ao mundinho do tapete vermelho hollywoodiano, referências ao filmes antigos de alguns atores (F. Murray, por exemplo, é apontado pelo protagonista Austin O’Brien como "o assassino de Mozart" em referência ao personagem de Salieri no clássico Amadeus, de Milos Forman) e a piada-mor do pôster de O Exterminador do Futuro com Silvester Stallone na pele do famoso andróide.

Mas surpreende mais ainda que haja uma referência tão perfeita ao filme O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, com a Morte (encarnada "só" por Sir Ian Mckellen) vindo para o mundo real junto com Slater, mundo este tão desgastado quanto a Nova Iorque depressiva de Allen em Rosa Púrpura. É aí que Slater percebe realmente que faz parte de um mundo de fantasia, um mundo onde temos nossos ingressos mágicos, que entregamos os porteiros dos Multiplex espalhados afora para que, durante uma, duas, três horas, ou mesmo cinco minutos, possamos ir para outro lugar além do rotineiro. Seja ele um filme de ação, um faroeste, um vôo de bicicleta com um ET. Antes de ser "mais um filme do Schwarzenegger" é uma inesperada (por ser de onde veio) homenagem a essa máquina de sonhos.

Além do mais, o filme tem participações especiais de primeira (a prefeita é a Tina Turner, cáspita!). E tem música do AC/DC na trilha sonora! :)  

Nota: Cinco estrelas na testa de John McTiernan 

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