Luz, Câmera, Post

July 5, 2006

Heresia a caminho

Filed under: Premìere

Recém saiu no Omelete a notícia que vai matar muitos do coração: provavelmente sobre a batuta de Michael Bay (A Ilha, A Rocha, Pearl Harbor, Armageddon), será refeito o remake do clássico Os Pássaros, de Alfred Hitchcock. Quer um paralelo: é como dizer que a Seleção Canarinho de 2006 nos deu um trauma tão grande quanto a de 82.

Diz o produtor Brad Fuller, que neste momento possivelmente está ajudando a cagar na sabedoria como remake de outro clássico, A morte pede carona, estrelado na versão original pelo Hutger Hauer (os comentários em parentêses na declaração são deste, indignado deveras):

"Nós não estamos refazendo o filme de Hitchcock (Deus é pai!). O que nos interessa é que o conto está repleto de coisas chocantes que Hitchcock não usou no filme dele (a cena final do filme é uma das coisas mais chocantes que eu já vi, seu idiota!) . Então nós pegamos essas coisas, que são a base de nossa produção. O título é o mesmo porque a base é a mesma (Mudem o título. Coloquem As Codornas, qualquer diabo!), mas não temos os mesmos personagens daquele filme. O conceito dos pássaros, certamente, é o núcleo dos dois, mas as situações e a trama agora vêm do conto e não da obra de Hitchcock (Pelo amor de todos os Santos do cinema, não usem um "baseado na obra do mestre Alfred Hitchcock ou eu rasgo todos os cartazes em São Paulo!)".

Ainda tem mais heresia:

"A história é sobre uma família que já está lá, e não pessoas que chegam de repente. Esse tipo de coisa vai mudar conforme o perfil dos roteiristas e dos atores que podemos contratar, além do que o próprio elenco vai querer do filme. É diferente de quando Hitch fazia esses filmes. Nós temos uma série de variáveis que temos que equilibrar."

Avisou com todas as letras: será uma merda. Mas ainda bem que em nada tem haver com o clássico do mestre do suspense, conforme disse o produtor. 

Tubarão

Filed under: Cine Baú

Tubarão é o melhor filme de Steven Spielberg. Ok, ele empata com a série Indiana Jones, o que o torna obra-prima na acepção da palavra.
 
Mas o que faz de Tubarão um grande filme? Há quem diga que há a mensagem ecológica, do homem tomando o que é da natureza para o lucro da pequena cidade praiana de Amity, que precisa de suas águas livres no verão. Outros dizem que é o clima de suspense por não vermos a "máquina de matar" durante grande parte do filme. Sabemos que há o terror, mas não há mostra visual disso, só a câmera com um pequeno ponto de luz nas pernas da próxima vítima. É aquilo que o Hitchcock disse de se sugerir o terror, base do suspense.

Talvez seja a trilha sonora que John Williams, esse sim um "Midas" (quem não sabe cantarolar os temas de Star Wars e Indiana Jones não é humano), criou para Tubarão, a melhor em matéria de suspense na história do cinema. Aos primeiros acordes da música tema, o espectador sente o frenesi da iminência de um ataque do grande tubarão branco, cola na cadeira e ao menor sinal de água, grita por socorro.

 

"Um cartucho de Seaquest do Atari, eu diria" 

Temos ainda o trio de protagonistas principais: Quint (Robert Shawn), o marinheiro durão e obcecado pelo animal (talvez uma alusão ao Capitão Ahab e sua luta para ter Moby Dick); o geólogo Matt Hooper (o excelente Richard Dreyfuss), cientificamente maravilhado com o poder do estupendo animal; e por fim o chefe de polícia Martin Brody (Roy Scheider), um tanto hidrófobo e ainda desacostumado com os "caipiras" de Amity, esperando que mais ninguém morra nas águas do balneário.

E temos, obviamente, o grande tubarão branco num filme de 1975, sem DreamWorks, sem Industrial Light & Magic, sem Weta. Um robô um tanto feio, mecanizado demais, mas precisamente assustador e imenso. Quando não temos o tubarão em si, temos mergulhadores com cabos, com câmeras, dando as vítimas a sensação de terror que as dentadas do animal são capazes de provocar. Em suma, uma aula de cinema travestida de diversas formas. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores da história do cinema.

Nota: Seis estrelas na testa de Spilberg mais um "aprovado com louvor"

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