Luz, Câmera, Post

July 3, 2006

Carros

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Carros, o primeiro filme da Pixar sob a égide dos estúdios Disney, é a obra mais perfeccionista que já se viu num filme de animação. Tem direção de John Lasseter, homem todo-poderoso do estúdio e, perdoem-me quem pode achar heresia, alguém pronto para ser o Walt Disney do século 21.

O filme parte do princípio de que os carros são humanos. Talvez John Carpenter com Christine, o Carro Assassino tenha chegado perto disso, transformando o transporte numa máquina de matar. Em Carros eles são as pessoas em si. Até as moscas são carros, eles consomem gasolina como se fosse comida, transformando até os combustíveis oriundos de fontes renováveis em uma espécie de "comida vegetariana" para os possantes.

Relâmpago McQueen é um carro estreante prestes a ganhar a Copa Pistão, e será o primeiro a conseguir tal feito. Após um acidente, onde seu caminhão de transporte dorme na pista (sim, "o" caminhão dorme. Sem contar que o sua carroceria tem algo parecido com um boné, no melhor estilo Falcão, o Campeão dos Campeões), Relâmpago para em Radiator Springs, uma cidade enclausurada na mítica Route 66.

 

"Meu dentista nunca me disse que Bardhal era bom pra cárie, sô!" 

Lições típicas dos desenhos Disney pululam daí para frente. Amizade, confiança, respeito, afeto e que tais. Como roteiro, Carros perde para seus parceiros de estúdio, como Procurando Nemo ou Monstros S.A, mesmo tratando bem a questão do saudosismo. Mas as imagens de Radiator, os carros da cidade, um velho Hornet da década de 50, os compactos italianos e "a" Porsche Carrera com direito a tribal são um show de efeitos visuais. Se perde e muito para as idéias e lições de Toy Story e afins, Carros faz o impossível e dá um banho em todos no quesito animação, coisa que parecia inimaginável até então.

Após as duas horas de filme, você não sai do cinema com uma mensagem, como seria mais do que provável num filme Disney. Mas sai, sem dúvida, com a impressão de que Walt Disney sorri feliz por ver que sua empresa arrumou um sucessor de grande cacife.

Nota: quatro estrelas mais um "continue assim" na testa de Lasseter.

X-Men 3

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Diante de um tema central interessante, uma possível cura para o gene X, temos de volta os mutantes, aos montes. Eu, que não sou muito fã de gibis (desenvolvi meu amor pela leitura de qualquer coisa somente aos 18 anos, o que tornaria inviável - financeiramente - conhecer toda a história de todos os heróis a tempo de ver quiçá o Namor nas telonas), digo aqui o que X-Men 3 - O Confronto Final, trás para o cinema: uma continuação.

Brett Ratner, perdoem-me o lugar-comum, nunca será Bryan Singer. O primeiro chegou a fama com A Hora do Rush, filme legal com Jackie Chan e Cris Tucker. Para quem viu Máquina Mortífera, uma ótima Sessão da Tarde.

O segundo apareceu para o mundo com Os Suspeitos. Para quem viu Psicose, um sucessor. Singer trouxe aquele frisson que o Mestre Hitchcock nos deu durante sua carreira cinematográfica. Roteiro, atores e um final exuberante fazem deste filme um dos melhores da década de 90.

Em X-Men tínhamos a apresentação dos mutantes aos incautos, como este. O tema era o preconceito contra determinada raça (e a cena de Magneto no campo de concentração ilustra perfeitamente) e a evolução dos mutantes em relação aos humanos, sempre eles. Detalhou-se o bem, o mal e o mal maior, os homo sapiens e suas armas.

Em X-Men 2, tínhamos o desenvolvimento do roteiro do primeiro filme. Novos mutantes, a mesma idéia de preconceito elevada à solução final pelo General Striker (Brian Cox) e até um epílogo sobre a cura (o líquido extraído do cérebro do filho de Striker que permitia ao general controlar os mutantes). Mais uma vez, voltamos a Hitchcock: Singer fez uma das maiores cenas de abertura do cinema, quando o mutante Noturno invade a Casa Branca para assassinar o presidente dos EUA.

Por que Hitchcock? Quem assistiu Janela Indiscreta sabe o por quê da escolha.

Com o sucesso dos dois filmes, Singer era a figura certa para o terceiro filme, correto? Não se você é um dos empresários de Hollywood. Singer teve problemas com a Fox, distribuidora da obra, e foi para a Warner dar vida a Superman Returns. Como para dar o troco, mas sei essa intenção toda, a Fox chamou Rattner, justamente o diretor do projeto da volta do Homem de Aço aos cinemas.

Troca feita, temos dois estilos eqüidistantes. A primazia com que Singer fazia os filmes foi substituída pela correria de Ratner. O que não vem a ser ruim num filme como X-Men, pelo contrário, talvez se torne até mais competente do que aparenta ser.

Mas antes que eu comece a falar demais sobre bobagens como técnicas de filmagem, câmeras, roteiro e blá blá blá, vale lembrar que Colossus arremessa Wolverine. E que, no cinema, você não precisa de nada mais além disso.

Nota: quatro estrelas mais um "continue assim" na testa de Brett Ratner

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