Luz, Câmera, Post

July 12, 2006

Eyes of Tiger

Filed under: Premìere

Pode ser dito qualquer coisa sobre Silvester Stalonne, menos que quatro dos cinco filmes da série Rocky não são competentes, tanto em roteiro como tecnicamente. São filmes de boxe que se equivalem tecnicamente aos excepcionais Touro Indomável, Menina de Ouro e Ali, com os citados ganhando disparados no que diz ao desenrolar da história.

De qualquer forma, cada um dos quatro primeiros filmes da série produziram cenas icônicas, desde o "Adrian" à trilha sonora empolgante enquanto Sly corre, escadaria acima, preparando os músculos para a próxima luta. Mesmo a paranóia da Guerra Fria exposta em alguns filmes dos anos 80 trouxe um filme bom na série, Rocky VI, onde o oponente era a ameaça vermelha encarnada, de forma bastante convincente, por Dolph Lundgren.

Mas o quê Rocky faz na sessão premìere, você pergunta. Oras, clique aqui e morra de nostalgia com o lutador de volta aos ringues para o que possivelmente seja último desafio de sua vida. Se via convencer ou não, só saberemos em dezembro. De qualquer forma continuam lá a música e os socos no ar de Rocky Balboa. Que soe o gongo.

July 7, 2006

O último grande herói

Filed under: Momento Ed Wood

Direção: John McTiernan

Gênero/Ano: Ação/1993

Arnold Schwarzenegger (Jack Slater / Arnold Schwarzenegger)
F. Murray Abraham (John Practice)
Art Carney (Frank)
Charles Dance (Benedict)
Frank McRae (Dekker)
Tom Noonan (Ripper / Tom Noonan)
Robert Prosky (Nick)
Anthony Quinn (Tony Vivaldi)
Austin O’Brien (Danny Madigan)
Ian McKellen (Morte)
Tina Turner (Prefeita)
Ryan Todd (Andrew Slater)
Sharon Stone (Catherine Tramell)
James Belushi
Chevy Chase
Danny DeVito
M.C. Hammer
Little Richard
Robert Patrick
Maria Shriver
Jean-Claude Van Damme
Melvin Van Peebles
Damon Wayans

Muitas homenagens já foram feitas ao cinema e algumas são clássicas, como Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder, Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen e O Último Grande Herói, de John McTiernan.

Antes que você alegue que eu estou insano, assista o filme: é uma singela, e muito bem bolada, homenagem aos filmes de ação (e as vezes, por incrível que pareça, vai além disso!). O roteiro é simples: garoto fissurado em filmes de ação recebe um bilhete mágico que pode transportá-lo para o mundo do cinema. Fã dos filmes do maior personagem de ação da história, Jack Slater (com Arnold Schwarzenegger se divertindo muito no papel), ele acaba por cair no mundo do herói.

A premissa lembra, inclusive, Rosa Púrpura, que é uma homenagem ao cinema como uma fuga do mundo real, uma máquina de sonhos que são projetados na tela grande. Ali durante duas, três horas ou mesmo cinco minutos, saímos de nossos corpos e encarnamos o reproduzido a nossa frente.

Ok, McTiernan não é nenhum Allen. Tem lances respeitáveis na carreira (Duro de Matar, Duro de Matar - A Vingança, Caçada ao Outubro Vermelho) mas não fez Annie Hall ou Poderosa Afrodite. Também não chega perto de Billy Wilder (Quanto mais quente melhor - um dos maiores clássicos da comédia), mas tem seu valor, e demonstra ele muito bem em O Último Grande Herói.

A grande sacada do filme talvez seja o brincar de fazer cinema. Ali nada é sério: as explosões são toscas, os clichês pululam de hora em hora e o inverossímil é tão indispensável quanto a câmera em si. Ou seja, é uma homenagem a todos os filmes de ação.

Surpreende porém, que nesse interím tenhamos piadas ao mundinho do tapete vermelho hollywoodiano, referências ao filmes antigos de alguns atores (F. Murray, por exemplo, é apontado pelo protagonista Austin O’Brien como "o assassino de Mozart" em referência ao personagem de Salieri no clássico Amadeus, de Milos Forman) e a piada-mor do pôster de O Exterminador do Futuro com Silvester Stallone na pele do famoso andróide.

Mas surpreende mais ainda que haja uma referência tão perfeita ao filme O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, com a Morte (encarnada "só" por Sir Ian Mckellen) vindo para o mundo real junto com Slater, mundo este tão desgastado quanto a Nova Iorque depressiva de Allen em Rosa Púrpura. É aí que Slater percebe realmente que faz parte de um mundo de fantasia, um mundo onde temos nossos ingressos mágicos, que entregamos os porteiros dos Multiplex espalhados afora para que, durante uma, duas, três horas, ou mesmo cinco minutos, possamos ir para outro lugar além do rotineiro. Seja ele um filme de ação, um faroeste, um vôo de bicicleta com um ET. Antes de ser "mais um filme do Schwarzenegger" é uma inesperada (por ser de onde veio) homenagem a essa máquina de sonhos.

Além do mais, o filme tem participações especiais de primeira (a prefeita é a Tina Turner, cáspita!). E tem música do AC/DC na trilha sonora! :)  

Nota: Cinco estrelas na testa de John McTiernan 

Se as preces funcionarem…

Filed under: Premìere

Novamente do Omelete, a notícia que pode abalar alicerces no mundo dos aficcionados por quadrinhos e por cinema: Bryan Singer (X-Men, Os Suspeitos) pensa em dirigir o encontro de Super Homem e Batman!

Disse o diretor a MTV gringa:

"Eu pensei bastante nesse encontro, mas não sei quem eu colocaria de vilão. Talvez o próprio Batman, mas ele não pode ser tão malvado, afinal ele é o Batman. De qualquer forma, isso não é assunto pra agora. Antes o Super-Homem precisa ter sua própria franquia estabelecida".

A se confirmar a ótima bilheteria que o retorno do Homem de Aço terá nos cinemas, aliada a paixão de Synger por quadrinhos, podemos ter quase certeza de que é um projeto ótimo e interessante tanto para a paixão do diretor pelo assunto quanto para os sedentos cofres da Warner Bros, que bancaria a coisa.

E digam que é epifania, mas eu até arriscaria convidar o Christopher Nolan para dirigir junto com Synger a película! 

July 5, 2006

Heresia a caminho

Filed under: Premìere

Recém saiu no Omelete a notícia que vai matar muitos do coração: provavelmente sobre a batuta de Michael Bay (A Ilha, A Rocha, Pearl Harbor, Armageddon), será refeito o remake do clássico Os Pássaros, de Alfred Hitchcock. Quer um paralelo: é como dizer que a Seleção Canarinho de 2006 nos deu um trauma tão grande quanto a de 82.

Diz o produtor Brad Fuller, que neste momento possivelmente está ajudando a cagar na sabedoria como remake de outro clássico, A morte pede carona, estrelado na versão original pelo Hutger Hauer (os comentários em parentêses na declaração são deste, indignado deveras):

"Nós não estamos refazendo o filme de Hitchcock (Deus é pai!). O que nos interessa é que o conto está repleto de coisas chocantes que Hitchcock não usou no filme dele (a cena final do filme é uma das coisas mais chocantes que eu já vi, seu idiota!) . Então nós pegamos essas coisas, que são a base de nossa produção. O título é o mesmo porque a base é a mesma (Mudem o título. Coloquem As Codornas, qualquer diabo!), mas não temos os mesmos personagens daquele filme. O conceito dos pássaros, certamente, é o núcleo dos dois, mas as situações e a trama agora vêm do conto e não da obra de Hitchcock (Pelo amor de todos os Santos do cinema, não usem um "baseado na obra do mestre Alfred Hitchcock ou eu rasgo todos os cartazes em São Paulo!)".

Ainda tem mais heresia:

"A história é sobre uma família que já está lá, e não pessoas que chegam de repente. Esse tipo de coisa vai mudar conforme o perfil dos roteiristas e dos atores que podemos contratar, além do que o próprio elenco vai querer do filme. É diferente de quando Hitch fazia esses filmes. Nós temos uma série de variáveis que temos que equilibrar."

Avisou com todas as letras: será uma merda. Mas ainda bem que em nada tem haver com o clássico do mestre do suspense, conforme disse o produtor. 

Tubarão

Filed under: Cine Baú

Tubarão é o melhor filme de Steven Spielberg. Ok, ele empata com a série Indiana Jones, o que o torna obra-prima na acepção da palavra.
 
Mas o que faz de Tubarão um grande filme? Há quem diga que há a mensagem ecológica, do homem tomando o que é da natureza para o lucro da pequena cidade praiana de Amity, que precisa de suas águas livres no verão. Outros dizem que é o clima de suspense por não vermos a "máquina de matar" durante grande parte do filme. Sabemos que há o terror, mas não há mostra visual disso, só a câmera com um pequeno ponto de luz nas pernas da próxima vítima. É aquilo que o Hitchcock disse de se sugerir o terror, base do suspense.

Talvez seja a trilha sonora que John Williams, esse sim um "Midas" (quem não sabe cantarolar os temas de Star Wars e Indiana Jones não é humano), criou para Tubarão, a melhor em matéria de suspense na história do cinema. Aos primeiros acordes da música tema, o espectador sente o frenesi da iminência de um ataque do grande tubarão branco, cola na cadeira e ao menor sinal de água, grita por socorro.

 

"Um cartucho de Seaquest do Atari, eu diria" 

Temos ainda o trio de protagonistas principais: Quint (Robert Shawn), o marinheiro durão e obcecado pelo animal (talvez uma alusão ao Capitão Ahab e sua luta para ter Moby Dick); o geólogo Matt Hooper (o excelente Richard Dreyfuss), cientificamente maravilhado com o poder do estupendo animal; e por fim o chefe de polícia Martin Brody (Roy Scheider), um tanto hidrófobo e ainda desacostumado com os "caipiras" de Amity, esperando que mais ninguém morra nas águas do balneário.

E temos, obviamente, o grande tubarão branco num filme de 1975, sem DreamWorks, sem Industrial Light & Magic, sem Weta. Um robô um tanto feio, mecanizado demais, mas precisamente assustador e imenso. Quando não temos o tubarão em si, temos mergulhadores com cabos, com câmeras, dando as vítimas a sensação de terror que as dentadas do animal são capazes de provocar. Em suma, uma aula de cinema travestida de diversas formas. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores da história do cinema.

Nota: Seis estrelas na testa de Spilberg mais um "aprovado com louvor"

July 3, 2006

Carros

Filed under: Resenha

Carros, o primeiro filme da Pixar sob a égide dos estúdios Disney, é a obra mais perfeccionista que já se viu num filme de animação. Tem direção de John Lasseter, homem todo-poderoso do estúdio e, perdoem-me quem pode achar heresia, alguém pronto para ser o Walt Disney do século 21.

O filme parte do princípio de que os carros são humanos. Talvez John Carpenter com Christine, o Carro Assassino tenha chegado perto disso, transformando o transporte numa máquina de matar. Em Carros eles são as pessoas em si. Até as moscas são carros, eles consomem gasolina como se fosse comida, transformando até os combustíveis oriundos de fontes renováveis em uma espécie de "comida vegetariana" para os possantes.

Relâmpago McQueen é um carro estreante prestes a ganhar a Copa Pistão, e será o primeiro a conseguir tal feito. Após um acidente, onde seu caminhão de transporte dorme na pista (sim, "o" caminhão dorme. Sem contar que o sua carroceria tem algo parecido com um boné, no melhor estilo Falcão, o Campeão dos Campeões), Relâmpago para em Radiator Springs, uma cidade enclausurada na mítica Route 66.

 

"Meu dentista nunca me disse que Bardhal era bom pra cárie, sô!" 

Lições típicas dos desenhos Disney pululam daí para frente. Amizade, confiança, respeito, afeto e que tais. Como roteiro, Carros perde para seus parceiros de estúdio, como Procurando Nemo ou Monstros S.A, mesmo tratando bem a questão do saudosismo. Mas as imagens de Radiator, os carros da cidade, um velho Hornet da década de 50, os compactos italianos e "a" Porsche Carrera com direito a tribal são um show de efeitos visuais. Se perde e muito para as idéias e lições de Toy Story e afins, Carros faz o impossível e dá um banho em todos no quesito animação, coisa que parecia inimaginável até então.

Após as duas horas de filme, você não sai do cinema com uma mensagem, como seria mais do que provável num filme Disney. Mas sai, sem dúvida, com a impressão de que Walt Disney sorri feliz por ver que sua empresa arrumou um sucessor de grande cacife.

Nota: quatro estrelas mais um "continue assim" na testa de Lasseter.

X-Men 3

Filed under: Resenha

Diante de um tema central interessante, uma possível cura para o gene X, temos de volta os mutantes, aos montes. Eu, que não sou muito fã de gibis (desenvolvi meu amor pela leitura de qualquer coisa somente aos 18 anos, o que tornaria inviável - financeiramente - conhecer toda a história de todos os heróis a tempo de ver quiçá o Namor nas telonas), digo aqui o que X-Men 3 - O Confronto Final, trás para o cinema: uma continuação.

Brett Ratner, perdoem-me o lugar-comum, nunca será Bryan Singer. O primeiro chegou a fama com A Hora do Rush, filme legal com Jackie Chan e Cris Tucker. Para quem viu Máquina Mortífera, uma ótima Sessão da Tarde.

O segundo apareceu para o mundo com Os Suspeitos. Para quem viu Psicose, um sucessor. Singer trouxe aquele frisson que o Mestre Hitchcock nos deu durante sua carreira cinematográfica. Roteiro, atores e um final exuberante fazem deste filme um dos melhores da década de 90.

Em X-Men tínhamos a apresentação dos mutantes aos incautos, como este. O tema era o preconceito contra determinada raça (e a cena de Magneto no campo de concentração ilustra perfeitamente) e a evolução dos mutantes em relação aos humanos, sempre eles. Detalhou-se o bem, o mal e o mal maior, os homo sapiens e suas armas.

Em X-Men 2, tínhamos o desenvolvimento do roteiro do primeiro filme. Novos mutantes, a mesma idéia de preconceito elevada à solução final pelo General Striker (Brian Cox) e até um epílogo sobre a cura (o líquido extraído do cérebro do filho de Striker que permitia ao general controlar os mutantes). Mais uma vez, voltamos a Hitchcock: Singer fez uma das maiores cenas de abertura do cinema, quando o mutante Noturno invade a Casa Branca para assassinar o presidente dos EUA.

Por que Hitchcock? Quem assistiu Janela Indiscreta sabe o por quê da escolha.

Com o sucesso dos dois filmes, Singer era a figura certa para o terceiro filme, correto? Não se você é um dos empresários de Hollywood. Singer teve problemas com a Fox, distribuidora da obra, e foi para a Warner dar vida a Superman Returns. Como para dar o troco, mas sei essa intenção toda, a Fox chamou Rattner, justamente o diretor do projeto da volta do Homem de Aço aos cinemas.

Troca feita, temos dois estilos eqüidistantes. A primazia com que Singer fazia os filmes foi substituída pela correria de Ratner. O que não vem a ser ruim num filme como X-Men, pelo contrário, talvez se torne até mais competente do que aparenta ser.

Mas antes que eu comece a falar demais sobre bobagens como técnicas de filmagem, câmeras, roteiro e blá blá blá, vale lembrar que Colossus arremessa Wolverine. E que, no cinema, você não precisa de nada mais além disso.

Nota: quatro estrelas mais um "continue assim" na testa de Brett Ratner

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